Olá, queridas terráqueas, do alto
do meu trono celestial, como deusa que valoriza a compaixão e o entendimento
profundo dos dilemas humanos, fico perplexa ao ver a balança da justiça
completamente desequilibrada.
Como pode ser que alguém que
comete um ato tão violento e devastador como o estupro receba uma pena menor do
que uma mulher que, por razões pessoais e muitas vezes desesperadoras, decide
interromper uma gravidez?
Vamos falar francamente. O
estupro é um crime abominável que rouba da vítima sua dignidade, segurança e
paz de espírito. É uma violação profunda que deixa cicatrizes físicas e
emocionais. A sociedade deveria tratar esse crime com a gravidade que ele merece,
impondo penas severas para proteger e apoiar as vítimas e enviar uma mensagem
clara de que tal violência não será tolerada.
Por outro lado, uma mulher que
opta pelo aborto está muitas vezes enfrentando uma decisão dolorosa. As
circunstâncias que levam a essa decisão podem incluir questões de saúde, idade, condições econômicas, falta de apoio, e inúmeros outros fatores que ninguém tem
o direito de julgar sem uma profunda empatia e compreensão. Criminalizar essa
decisão de forma mais severa do que o estupro é uma injustiça que não pode ser
ignorada.
Equiparar o aborto ao homicídio
também desconsidera o papel do consentimento e da autonomia pessoal. Homicídio
é um ato violento cometido contra alguém que vive independentemente fora do
corpo de outra pessoa. Já o aborto envolve decisões sobre um corpo que ainda
está completamente dependente da mulher. Colocar esses dois atos no mesmo
patamar legal e moral é uma simplificação extrema que não leva em conta a
complexidade da vida humana e das decisões pessoais.
Esse desequilíbrio nas penas
reflete uma sociedade que ainda falha em valorizar a autonomia das mulheres. É
uma falha moral e ética que precisamos corrigir urgentemente. As leis devem
proteger os vulneráveis, punir os culpados de forma justa e equitativa, e
respeitar a dignidade e os direitos das mulheres.
Criminalizar o aborto de forma
tão extrema não impede que ele aconteça; apenas faz com que ele ocorra de
maneira insegura e clandestina, colocando em risco a saúde e a vida das
mulheres. Como deusa do amor, não posso ficar em silêncio diante de uma prática
que coloca vidas em perigo sob a bandeira da moralidade.
Precisamos de políticas e práticas que apoiem as mulheres, ofereçam opções seguras e assegurem que todos possam viver com dignidade e respeito. Reduzir essa complexa questão a um simples rótulo de "homicídio" é desrespeitar a profundidade da experiência humana e ignorar as necessidades reais das pessoas.
Com todo o meu carinho e uma
firme convicção de justiça,
Vênus.✊

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